sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Nikola Tesla - Um gênio injustiçado e taxado como cientista maluco por muitos.

Nikola Tesla (Nicola Tesla ou Никола Тесла) (Smiljan, Império Austríaco, 10 de Julho de 1856 — Nova Iorque, 7 de Janeiro de 1943) foi um inventor nos campos da engenharia mecânica e electrotécnica, de etnia sérvia nascido na aldeia de Smiljan, Vojna Krajina, no território da atual Croácia. Era súbdito do Império Austríaco por nascimento e mais tarde tornou-se um cidadão estadounidense.[2] Tesla é muitas vezes descrito como um importante cientista e inventor da idade moderna, um homem que "espalhou luz sobre a face da Terra".[3] É mais conhecido pela suas muitas contribuições revolucionárias no campo do electromagnetismo no fim do século XIX e início do século XX. As patentes de Tesla e o seu trabalho teórico formam as bases dos modernos sistemas de potência eléctrica em corrente alterna (AC), incluindo os sistemas de distribuição de energia multifásicos e o motor AC, com os quais ajudou na introdução da Segunda Revolução Industrial. 
Campo magnético rotativo trifásico.

Depois da sua demonstração de transmissão sem fios (rádio) em 1894 e após ser o vencedor da "Guerra das Correntes", tornou-se largamente respeitado como um dos maiores engenheiros electrotécnicos que trabalhavam nos EUA. Muitos dos seus primeiros trabalhos foram pioneiros na moderna engenharia electrotécnica e muitas das suas descobertas foram importantes a desbravar caminho para o futuro. Durante este período, nos Estados Unidos, a fama de Tesla rivalizou com a de qualquer outro inventor ou cientista da história e cultura popular, mas devido à sua personalidade excêntrica e às suas afirmações aparentemente bizarras e inacreditáveis sobre possíveis desenvolvimentos científicos, Tesla caiu eventualmente no ostracismo e olhado como um cientista louco.
A unidade de SI que mede a densidade do fluxo magnético ou a indução magnética (geralmente conhecida como campo magnético "B"), o tesla, foi nomeada em sua honra (na Conférence Générale des Poids et Mesures, Paris, 1960), assim como o efeito Tesla da transmissão sem-fio de energia para aparelhos electrónicos com energia sem fio, que Tesla demonstrou numa escala menor (lâmpadas eléctricas) já em 1893 e aspirava usar para a transmissão intercontinental de níveis industriais de energia no seu projecto inacabado da Wardenclyffe Tower.
Descarga elétrica de Tesla.
Aparte os seus trabalhos em electromagnetismo e engenharia electromecânica, Tesla contribuiu em diferentes medidas para o estabelecimento da robótica, controle remoto, radar e ciência computacional, e para a expansão da balística, física nuclear, e física teórica. Em 1943 o Supremo Tribunal dos Estados Unidos acreditou-o como sendo o inventor da rádio. Muitos das suas realizações foram usadas, com alguma controvérsia, para apoiar várias pseudociências, teorias sobre OVNIs, e as primeiras formas de ocultismo New Age.
Tesla recebeu da Checoslováquia a mais alta ordem do Leão Branco.
Em 1882 deslocou-se para Paris, França para trabalhar como engenheiro na "Continental Edison Company", desenhando aperfeiçoamentos em equipamentos eléctricos. Também trabalhou em Lyon.
Tesla mudou-se para os Estados Unidos da América em 1884, estabelecendo-se em Nova Iorque e tornando-se um assistente do famoso cientista da época Thomas Alva Edison. Distinguindo-se como um bom engenheiro, dois anos mais tarde, viajou à Nova York para conhecer o presidente da companhia: o próprio Thomas Edison.
Tesla em seu laboratório.
Este encontro não foi harmônico e mental como Tesla havia sonhado. Edison o observou com desdén, e certamente não tinha a menos intenção em colaborar com qualquer esquema AC. Edison via AC como um sonho impossível na melhor das hipóteses, ou, na pior, uma ameaça a seu império DC.
Tesla tentou tirar o melhor proveito possível da situação ao prometer para Edison que ele poderia levar a tecnologia DC existente até seu mais alto nível possível. Ele prometeu aumentar a eficiência de dínamos em 25% em dois meses. Céptico, Edison disse a Tesla que se ele assim conseguisse, ele lhe pagaria cinquenta mil dólares.
Exercendo um esforço massivo, virtualmente sem paradas, Tesla conseguiu cumprir com a promessa, melhorando os dínamos por uma margem até mesmo maior do que a prometida a Edison. Mas, quando pediu por seus cinquenta mil dólares, Edison recusou-se a honrar o acordo, dizendo que estava apenas brincando. Irado, Tesla demitiu-se e nunca mais trabalhou com Edison. Após a demissão Tesla  passa por um período difícil, realizando trabalho braçal.
Em 1887, consegue realizar um contrato com um grande investidor e vende sua patente da corrente alternada para George Westinghouse, que convence o governo americano a adotar o modelo-padrão de corrente alternada como meio mais eficiente para a distribuição de energia elétrica, contrariando interesses de seu antigo empregador Thomas Edison.
Quando viaja pelos Estados Unidos e Europa, a partir de 1891, apresenta novos ensaios científicos, detalhando aplicações insuspeitadas sobre a aplicação da corrente alternada de alta frequência e várias outras descobertas. Desenvolve a partir desse período um conjunto extenso de inventos para produção e uso da eletricidade, como o motor elétrico e registra outra centena de patentes, como o acoplamento de dois circuitos por indução mútua, princípio adotado nos primeiros geradores industriais de ondas hertz, o princípio e metodologia de criar energia (corrente alternada) através de campo magnético rotativo, o motor assíncrono de campo giratório, entre outros.
Inventou também a corrente polifásica, comutadores elétricos e ligação em estrela, novos tipos de geradores e transformadores, comunicação sem fio, a lâmpada fluorescente, controle remoto por rádio e protótipos de transmissão de energia.
Tesla foi logo abordado por um grupo de investidores que desejavam vender a lâmpada de arco que ele havia inventado. Assim, nasceu a Companhia Elétrica Tesla. Tesla estava ansioso por esta oportunidade de trazer a corrente alternada ao mundo, mas seus investidores nada queriam com ela. Assim, Tesla foi rejeitado pela companhia que tinha seu próprio nome.
Esta empresa logo entrou em dificuldades e suas ações rapidamente perderam o valor, deixando Tesla falido, e sem seus direitos sobre a lâmpada de arco. Quebrado, uma das mentes mais brilhantes do mundo foi reduzido a trabalhos braçais ganhando um dólar por dia. Ele planejou cometer suicídio no seu trigésimo aniversário, à meia noite em ponto.
Antes que isso ocorresse, porém, A. K. Brown da Western Union soube da situação de Tesla. Brown, determinado a devolver o gênio a seu lugar no mundo, ofereceu-lhe um laboratório próprio, e a chance de pesquisar a corrente alternada.
Salvo, Tesla imediatamente começou a trabalhar em seu dínamo AC. Finalmente, ele funcionou exatamente como tinha funcionado todos estes anos dentro de sua mente. Tesla demonstrou sua invenção ao público, e logo tornou-se a sensação da comunidade engenheira.
Turbina de Tesla.
Dentre os convertidos por suas palestras à corrente alternada, estava George Westinghouse, quem negociou com Tesla a fabricação dos dínamos. A primeira aplicação desta tecnologia: As cataratas do Niagara. Westinghouse venceu a concorrência para a utilização do Niagara, oferecendo metade do que Edison ofereceu para a instalação de um sistema DC. Em 1895, O sistema de energia Ac de Niagara foi inaugurado sem uma única falha, transmitindo energia até búffalo, a aproximadamente trinta e três quilômetros de distância, uma total impossibilidade com corrente contínua. Não mais uma comodidade luxuosa reservada aos ricos, a energia elétrica agora poderia ser usada por todos.
Pela primeira vez em sua vida, Nikola Tesla era um sucesso imbatível.

Vida pessoal

Tesla era fluente em muitos idiomas. Além do sérvio, falava ainda sete outras línguas: checo, inglês, francês, alemão, húngaro, italiano, e latim.
Tesla pode ter sofrido de transtorno obsessivo-compulsivo, e tinha muitas manias e fobias pouco habituais. Fazia as coisas de acordo com o número três, e era inflexível em relação a ficar em quartos de hotel cujo número era divisível por três. Tesla era também notado por ficar fisicamente revoltado por joalharia, sobretudo brincos de pérola. Era fastidioso acerca da limpeza e higiene, e era, segundo a opinião corrente, misofóbico.
Tesla era obcecado por pombos, encomendando sementes especiais para os pombos que alimentava no Central Park e chegando mesmo a trazer alguns com ele para o seu quarto de hotel. Tesla era um amante de animais, lembrando-se muitas vezes com contentamento dum gato que tinha todo na infância, "O Magnífico Macak." Tesla nunca se casou. Era celibatário e afirmava que a castidade era muito útil às suas capacidades científicas. No entanto, existiram numerosos relatos de mulheres disputando a afeição de Tesla, algumas mesmo loucas de amor por ele. Tesla, embora delicado, reagia de um modo ambivalente a essas mulheres, no sentido romântico.
Tesla era sujeito a se alienar e era geralmente murmurado. No entanto, quando realmente participava na vida social, muitas pessoas o referiam de um modo muito positivo e admirador. Robert Underwood Johnson descreveu-o como atingindo uma "distinta doçura, sinceridade, modéstia, refinamento, generosidade, e força." A sua leal secretária, Dorothy Skerrit, escreveu: "o seu sorriso genial e postura nobre sempre evidenciaram o carácter cavalheiresco que estava tão arraigado na sua alma." Hawthorne, amigo de Tesla, escreveu que "poucas vezes se conhece um cientista ou engenheiro que também seja um poeta, um filósofo, um apreciador de música erudita, um linguista, e um connoisseur de comida e bebida."
No entanto, Tesla por vezes mostrava traços de crueldade; expressava abertamente a sua repulsa por pessoas obesas, tendo despedido certa vez uma secretária devido ao seu peso. Era também rápido a criticar as roupas dos outros, e em muitas ocasições ordenou uma subordinada que fosse a casa e mudasse de vestido.
Tesla era largamente conhecido pela sua teatralidade, apresentando as suas inovações e demonstrações ao público de uma forma artística, quase como um mágico. Isto parece não estar de acordo com a sua observada propensão à reclusão; Tesla era uma figura complexa. Recusava-se a seguir as convenções sem a sua bobine Tesla bombardeando electricidade através da sala, apesar da audiência muitas vezes estar aterrorizada, embora assegurasse que era tudo absolutamente seguro.
Na meia idade, Tesla tornou-se um amigo muito próximo de Mark Twain, passando ambos muito tempo juntos no seu laboratório e em outros lugares.
Nos seus últimos anos Tesla tornou-se um vegetariano. Num artigo da Century Illustrated Magazine escreveu: "É de certo preferível cultivar vegetais e, penso eu, portanto, que o vegetarianismo é uma alternativa recomendável aos hábitos bárbaros estabelecidos." Tesla argumentava que é errado comer carne cara quando um número tão elevado de pessoas está à fome; Também acreditava que a alimentação vegetal era "superior a isso [carne] tanto no desempenho mecânico como mental". Também argumentava que o abate dos animais era "imoral e cruel".
Tesla não gostava de posar para retratos, fazendo-o somente uma vez para a princesa Vilma Lwoff-Parlaghy. O seu desejo era ter uma estátua executada pelo seu amigo próximo, o escultor croata Ivan Meštrović, que nessa época estava nos Estados Unidos, mas morreu sem que tivesse hipótese de a ver. Meštrović fez um busto de bronze (1952) que se encontra no Museu Nikola Tesla em Belgrado e uma estátua (1955/56) colocada no Instituto Ruđer Bošković em Zagreb. Esta estátua foi deslocada para a Rua Nikola Tesla no centro da cidade de Zagreb no 150º aniversário do nascimento de Tesla, tendo o Instituto Ruđer Bošković recebido um duplicado. Em 1976, uma estátua de bronze de Tesla foi colocada nas cataratas do Niágara, Nova Iorque. uma estátua semelhante foi também erguida na sua cidade natal de Gospić em 1986.
A unidade SI tesla (T) que mede a densidade do fluxo magnético ou indução magnética (geralmente conhecida como campo magnético B) foi nomeada em honra de Tesla na Conférence Générale des Poids et Mesures, Paris em 1960. O Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE) do qual Tesla foi vice presidente também criou um prémio em homenagem a Tesla. Designado por IEEE Nikola Tesla Award, é atribuído a um indivíduo ou equipa que tenha contribuido de um modo extraordinário para a geração ou utilização de energia eléctrica, e é considerado como o prémio de maior prestígio na área da energia eléctrica. A cratera Tesla no lado mais distante da Lua e o planeta menor 2244 Tesla foram também nomeados em sua honra.
Museu Nikola Tesla em Belgrado, Sérvia.
No final da sua vida sofria de sensibilidade extrema à luz, som e outras influências.
Nos anos após a sua morte, muitas das suas inovações, teorias e alegações têm sido usadas, por vezes de forma forçada e controversa, para apoiar várias teorias excêntricas que não são vistas como científicas. Muito do trabalho próprio de Tesla obedece aos princípios e métodos aceites pela ciência, mas a sua personalidade extravagante e as alegações por vezes pouco realistas, combinadas com o seu génio inquestionável, tornaram-no uma figura popular entre teóricos excêntricos e seguidores de teorias da conspiração sobre "conhecimento oculto". Mesmo durante a sua vida, alguns acreditavam que era realmente um ser angélico venusiano enviado à Terra para revelar conhecimento científico à humanidade. Esta crença é mantida hoje em dia pelos seguidores do Nuwaubianismo.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

PR150PLM, 150 Anos do Inventor do Rádio

A estação PR150PLM – Papa Romeo 150 Padre Landell de Moura – estará no ar entre 16 e 31 de janeiro deste ano em comemoração ao 150o Aniversário do Brasileiro, Cientista e Inventor "Padre Landell de Moura", nascido em Porto Alegre (RS) a 21 de janeiro de 1861.





A operação será nas bandas de 10, 15, 17, 20, 30, 40 e 80m, nas modalidades SSB, CW e modos digitais. Os comunicados realizados com o indicativo PR 150 PLM (Padre Landell Moura) enaltecerão aos radioamadores de todo o mundo o pioneirismo do cientista brasileiro como inventor do rádio.

Existe um Movimento Landell de Moura (MLM) que é uma iniciativa dos radioamadores Alda Niemeyer (PP5ASN) e Daniel Figueredo (PU6ZAA), do jornalista e escritor Hamilton Almeida e do professor de matemática e especialista em eletrônica industrial Luiz Netto. Não tem fins político partidário, religioso, financeiro ou de promoção pessoal. Visa, EXCLUSIVAMENTE, promover uma campanha nacional e internacional via internet com o intuito de sensibilizar o Governo brasileiro a reparar uma injustiça histórica cometida contra um genial inventor brasileiro.

O padre brasileiro que inventou o rádio

O dia 21 de janeiro de 2011 marcará os 150 anos de nascimento de um dos maiores cientistas brasileiros, ignorado pela história e pela gente de seu país. Seu nome é Roberto Landell de Moura (1861-1928), nascido em Porto Alegre, padre de formação que completou os estudos em Roma, especializando-se em física e química.
Com o conhecimento teórico e a inquietude dos que estão à frente de seu tempo, transmitiu a voz humana à distância, sem fio, pela primeira vez no mundo. Foi também pioneiro ao projetar aparelhos para a transmissão de imagens (TV) e textos (o teletipo). Ele previu que as ondas curtas poderiam aumentar a distância das comunicações e também utilizou-se da luz para enviar mensagens, princípio das fibras ópticas. Tudo está documentado por patentes, manuscritos, noticiário da imprensa no Brasil e no exterior e testemunhos.

As primeiras transmissões de rádio aconteceram no final do século XIX, ligando o alto Santana – o Colégio Santana – à emblemática avenida paulista, que hoje abriga diversas antenas de emissoras de rádio e TV. Ao transmitir a voz, Landell de Moura se diferenciou de Marconi; este inventou o telégrafo sem fios, e não o rádio tal como o conhecemos.

As experiências do padre Landell não sensibilizaram autoridades e nem patrocinadores. Pior: um grupo de fiéis achou que padre “falava com o demônio" e destruiu os seus aparelhos.

Mesmo tendo patenteado o rádio no Brasil em 1901, não obteve reconhecimento. Decidiu, então, viajar para os Estados Unidos, onde conseguiu, em 1904, três cartas-patentes. De volta ao Brasil, quis fazer uma demonstração das suas invenções no Rio de Janeiro, mas, por erro de avaliação, o governo não lhe deu a oportunidade. Depois, seria “forçado” a abandonar as experimentações científicas. Morreu no ostracismo e o Brasil importou tecnologia para entrar na era das radiocomunicações! O Brasil tem agora a oportunidade de reconhecer a obra científica de Landell e incluir os seus feitos no currículo escolar obrigatório do ensino básico.

É por isso que luta o MLM – Movimento Landell de Moura, integrado por voluntários de diferentes áreas, construiu um site (http://www.mlm.landelldemoura.qsl.br/) para angariar assinaturas em prol desse reconhecimento. Vale registrar que o movimento não tem fins político-partidários, religiosos, financeiros ou de promoção pessoal. Paralelamente, os Correios asseguram uma conquista: a emissão de um selo comemorativo dos 150 anos de nascimento de Landell. Também está em curso no Congresso Nacional a inclusão do nome do padre-cientista no Livro dos Heróis da Pátria, por proposição do senador Sérgio Zambiasi. Vamos juntos valorizar a gente de nossa pátria!

ASSIM COMO ALBERTO SANTOS DUMONT É O PAI DA AVIAÇÃO, ROBERTO LANDELL DE MOURA É O PAI DAS TELECOMUNICAÇÕES.

OS DOIS SÃO BRASILEIROS!!!

Você certamente sabe que Santos Dumont é o Pai da Aviação. Mas você sabia que o rádio foi inventado por um padre-cientista brasileiro, Roberto Landell de Moura, antes de Marconi? Além do rádio, Landell de Moura também projetou a televisão, no início do século XX, muitos anos antes da referida invenção ser anunciada ao mundo. Ele patenteou inventos no Brasil e nos Estados Unidos, mas, por uma série de infortúnios, não conseguiu nenhum apoio para o desenvolvimento dos artefatos. Foi incompreendido, taxado de maluco e de ter pacto com o demônio. Não foi reconhecido em sua época e, pior ainda, até hoje é pouco conhecido, embora tudo esteja devidamente documentado. Historicamente, o Brasil entrou na era do rádio com importação de tecnologia.
 Para corrigir um erro histórico e, ao mesmo tempo, valorizar a ciência nacional, o Governo Brasileiro precisa reconhecer oficialmente o pioneirismo do Padre Roberto Landell de Moura no desenvolvimento das telecomunicações (precursor das invenções do rádio, da televisão e do teletipo, além da recomendação do uso das ondas curtas e da utilização em seus aparelhos do princípio do laser e das fibras ópticas).

O Padre Landell

Replica funcional do Transmissor de Ondas,
 construida por Marco Aurelio Cardoso Moura
 em Maio de 2004.
O padre Landell de Moura nasceu no centro da cidade de Porto Alegre (RS), em 1861. Realizou os seus primeiros estudos em Porto Alegre e São Leopoldo, antes de seguir para a Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Em companhia do irmão Guilherme, seguiu para Roma, matriculando-se a 22 de março de 1878 no Colégio Pio Americano e na Universidade Gregoriana, onde estudou física e química. Completou sua formação eclesiástica em Roma, formando-se em Teologia, e foi ordenado sacerdote em 1886.

Quando voltou ao Brasil, substituiu algumas vezes o coadjutor do capelão do Paço Imperial, no Rio de Janeiro, e manteve longos diálogos científicos com D. Pedro II. Depois disso, serviu em uma série de cidades dos Estados do Rio Grande do Sul e de São Paulo: Porto Alegre, Uruguaiana, Santos, Campinas, São Paulo.

Em Roma, iniciou os estudos de física e eletricidade. No Brasil, como autodidata continuou seus estudos, e realizou as suas primeiras experiências públicas na cidade de São Paulo, no final do século XIX.

O Exército Brasileiro em homenagem ao insigne cientista gaúcho, concedeu em 2005 a denominação histórica de "Centro de Telemática Landell de Moura" ao 1° Centro de Telemática de Área, organização militar de telecomunicações situada na cidade de Porto Alegre.

Notícia no Jornal do Commercio de 10 de junho de 1900.

Foi pioneiro na transmissão da voz, utilizando equipamentos de rádio de sua construção patenteados no Brasil em 1901, e, posteriormente, nos Estados Unidos em 1904. Landell transmitiu a voz humana por meio de dois veículos; o primeiro, um transmissor de ondas que utilizava um microfone eletromecânico de sua invenção que recolhia as ondas sonoras através de uma câmara de ressonância onde um diafragma metálico abria e fechava o circuito do primário de uma bobina de Ruhmkorff, e induzia no secundário dessa bobina uma alta tensão que era irradiada ou através de uma antena ou de duas esferas centelhadoras. A detecção era feita por dispositivos que foram sendo melhorados ao longo do tempo.
Esquema do Transmissor de Ondas.
O segundo meio utilizado pelo cientista era através do aparelho de telefone sem fio, que utilizava a luz como uma onda portadora da informação de áudio. Neste aparelho, as variações das pressões acústicas da voz do locutor eram transformadas em variações de intensidade de luz, de acordo com a onda de voz, que eram captadas em seu destino por uma superfície parabólica espelhada em cujo foco havia um dispositivo cuja resistência ohmica variava segundo as variações da intensidade de luz. No circuito de detecção havia apenas o dispositivo fotossensível, uma chave, um par de fones de ouvido e uma bateria. Por utilizar a luz como meio de transporte de informação, Landell é considerado um dos precursores das fibras ópticas.

O Padre Landell realizou experiências a partir de 1892 e 1893, em Campinas e em São Paulo. O jornal O Estado de S.Paulo noticiou que, em 1899, ele transmitiu a voz humana a partir do Colégio das Irmãs de São José, hoje Colégio Santana, no alto do bairro de Santana, zona norte da capital paulista. Também efetuou demonstrações públicas de seu invento no dia 3 de junho de 1900 sendo noticiada pelo Jornal do Commercio de 10 de junho de 1900:

"No domingo passado, no alto de Santana, na cidade de São Paulo, o padre Landell de Moura fez uma experiência particular com vários aparelhos de sua invenção. No intuito de demonstrar algumas leis por ele descobertas no estudo da propagação do som, da luz e da eletricidade através do espaço, as quais foram coroadas de brilhante êxito. Assistiram a esta prova, entre outras pessoas, Percy Charles Parmenter Lupton, representante do governo britânico, e sua família".

Em 1903, Arthur Dias, em seu livro "Brasil Actual", faz referência a Landell de Moura, descrevendo, entre outras coisas, o seguinte:

"logo que chegou a S. Paulo, em 1893, começou a fazer experiências preliminares, no intuito de conseguir o seu intento de transmitir a voz humana a uma distância de 8, 10 ou 12 km, sem necessidade de fios metálicos.

Esquema do Telefone sem fio.
Após alguns meses de penosos trabalhos, obteve excelentes resultados com um dos aparelhos construídos. O telefone sem fios é reputado a mais importante das descobertas do Padre Landell, e as diversas experiências por ele realizadas na presença do vice-cônsul inglês de S. Paulo, Sr. Percy Charles Parmenter Lupton, e de outras pessoas de elevada posição social, foram tão brilhantes que o Dr. Rodrigues Botet, ao dar notícias desses ensaios, disse não estar longe o momento da sagração do Padre Landell como autor de descobertas maravilhosas".

Incompreensão e descaso do Brasil

O êxito das experiências do Padre Landell não teve a devida acolhida das autoridades brasileiras da época, conforme se verifica em reportagem publicada no jornal La Voz de España, (editado em S. Paulo), no dia 16 de dezembro de 1900, que diz:
"quantas e que amargas decepções experimentou Padre Landell ao ver que o governo e a imprensa de seu país, em lugar de o alentarem com aplauso, incentivando-o a prosseguir na carreira triunfal, fez pouco ou nenhum caso de seus notáveis inventos."

Estava em Campinas quando, numa tarde, ao retornar da visita a um doente, encontrou a porta da casa paroquial arrebentada e seu laboratório e instrumentos completamente destruídos.

Visto por uma população ignorante como "herege", "impostor", "feiticeiro perigoso", "louco", "bruxo" e "padre renegado" por seus experimentos envolvendo transmissões de rádio dois dias antes em São Paulo, pagou com sofrimento, isolamento e indiferença sua posição de absoluto vanguardismo científico.

Em junho de 1900, por carta, Landell de Moura pretendeu doar seus inventos ao governo britânico, como registrou em pesquisa para doutorado na USP, em 1999, o historiador da ciência Francisco Assis de Queiroz.

Em 1905, ao retornar ao Brasil após uma estada de três anos nos Estados Unidos, ainda teve energia para enviar uma carta ao presidente da República, Rodrigues Alves. Solicitava dois navios da esquadra de guerra para demonstrar os seus inventos que revolucionariam a comunicação (chegou a dizer que, no futuro, haveria comunicação interplanetária).

O assistente do presidente, no entanto, preferiu interpretá-lo como um "maluco" e o pedido foi negado. Na Itália, quando fez um pedido semelhante, Marconi teve toda a esquadra à disposição.

Landell não conseguiu financiamento privado ou governamental para continuar as suas pesquisas nem para construir equipamentos de rádio em escala industrial.

Patente estadunidense.


Memorial Descritivo - folha 01 - da Patente Brasileira
 de Landell de Moura,Pat. 3279 de 9 de Março de 1901.

Landell de Moura, em 9 de março de 1901 obteve para seus inventos, a patente brasileira número 3.279 Poucos meses depois seguiu para os Estados Unidos, e em 4 de outubro de 1901 deu entrada no The Patent Office of Washington, DC pedindo privilégio para as suas invenções, tendo obtido, em 11 de outubro de 1904 a patente 771.917 , para um transmissor de ondas; a 22 de novembro de 1904, a patente 775.337 para um telefone sem fio e a 775.846 para um telégrafo sem fio.

Os seus trabalhos foram noticiados em 12 de outubro de 1902, no jornal americano "The New York Herald", em reportagem sobre as experiências desenvolvidas na época, inclusive por cientistas americanos, alemães, ingleses dentre outros, na transmissão de sons sem uso de aparelhos com fio. Ressalta o jornal:
"Por entre os cientistas, o brasileiro Padre Landell de Moura é muito pouco conhecido. Poucos deles tem dado atenção aos seus títulos para ser o pioneiro nesse ramo de investigações elétricas. Mas antes de Brigton e Ruhmer, o Padre Landell, após anos de experimentação, conseguiu obter uma patente brasileira para sua invenção, que ele chamou de Gouradphone".
O jornal publica uma ampla reportagem sobre Landell de Moura, sua vida e obra, completada por uma fotografia do Padre, intitulada

"Padre Landell de Moura - inventor do telefone sem fio" (denominação de época para a radiotelefonia ou a transmissão da voz humana à distância sem fio condutor).

Nas cartas-patentes, fica claro que o padre Roberto Landell de Moura recomendou o emprego das ondas curtas para facilitar as transmissões quando essas ondas não eram sequer cogitadas por outros cientistas.  Além disso, Landell deixou manuscritos que provam que, em 1904, quando ainda estava nos EUA, projetou a transmissão de imagens (Televisão) e textos (Teletipo) à distância sem fios. Ele batizou a primitiva TV de "The Telephotorama ou A visão à distância". Também há documentação de que foi um dos pioneiros no desenvolvimento do controle remoto pelo rádio. Esses projetos não foram adiante porque, como ele próprio disse em uma entrevista à imprensa brasileira, foi "forçado" a abandonar a carreira científica.

Roberto Landell de Moura faleceu de tuberculose, aos 67 anos, no anonimato científico, no Hospital da Beneficência Portuguesa, em Porto Alegre. Nos últimos momentos de sua vida, quando alguém indagou sobre os progressos da radiodifusão, ele simplesmente respondeu: "São águas passadas."

Demonstração dos inventos em 1984

Em 7 de setembro de 1984, em Porto Alegre, foi feita uma demonstração pública utilizando-se um rádio montado por uma equipe da Cientec com base na patente norte-americana do padre-cientista (The Wave Transmitter). Na oportunidade, algumas palavras foram pronunciadas pelo então Governador do Estado, Jair Soares, provando que a invenção do Padre Landell realmente funcionou.
Bioeletrografia

Em 1904, ele descobriu o método que hoje é conhecido como Bioeletrografia ou Fotografia Kirlian

Documentos originais.

Os originais das anotações do Padre Roberto Landell de Moura estão no Museu Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul.

Fontes:
Eduardo Ribeiro e Hamilton Almeida – Jornalistas.
Pe. Ademir da Guia Santos – Assessor Diocesano das Comunicações
site: http://www.repetidoralabreguara.blogspot.com/
Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão LABRE/SP

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O dia, ou melhor, a noite em que meu GPS ficou maluco !

O cientista Amauri Fragoso e o engenheiro do Instituto Nacional de Pesquisa Aeroespacial (INPA), Acácio Cunha, montaram uma base de pesquisa em Boa Vista.
Roraima está sendo palco de um fenômeno pouco conhecido no mundo. Sobre nossas cabeças, bolhas de plasma formam-se em dimensões absurdas e podem apagar qualquer sinal via satélite, os do GPS, por exemplo.
Para estudar o fenômeno, o cientista brasileiro Amauri Fragoso, doutor em Geofísica Espacial, e o engenheiro do Instituto Nacional de Pesquisa Aeroespacial (INPA), Acácio Cunha, estãoem Boa Vista.
As bolhas de plasma ocorrem na região Equatorial do planeta. Segundo explicações de Amauri, elas formam-se a partir do gás ionizado à alta temperatura, na Ionosfera, há milhares de quilômetros da terra.
"Essas bolhas cortam sinais de telecomunicações. E isso, possivelmente, pode atrapalhar pilotos e comandantes durante uma navegação. Sem contar que elas causam interferência em emissoras que usam sinais via satélite", explicou.

Período do fenômeno

O fenômeno acontece com mais freqüência entre março e outubro. A formação das bolhas tem tempo estimado de 18 a 24 horas. O mesmo caso já foi registrado no Paquistão e na Índia.
Apesar dos esforços de cientistas de vários países, ainda não se sabe o que provoca o surgimento da bolha e o porquê do fenômeno apenas nesta região do planeta. "Temos que fazer praticamente uma previsão do clima espacial para detectarmos o fenômeno", comentou Amauri.
Caso o brasileiro consiga prever a hora do surgimento da bolha, e o local em qualquer ponto do planeta, a ciência dará um salto inédito sobre o assunto. "Assim, conseguiremos evitar que o fenômeno atinja os satélites", reforça.
A velocidade média das bolhas é de 80 metros/segundo, mas varia de acordo com outras alterações climáticas. 
O engenheiro do INPA aproveitou também para informar que as interferências mais freqüentes na televisão são causadas por anomalias na camada Ionosférica, local onde as bolhas de plasma atingem sua plenitude.
"Tudo que usa GPS (Sistema de Posicionamento Global) pode ser alterado por este fenômeno", garantiu Acácio. Cientistas também querem saber se a bolha se dispersa na Ionosfera ou invade o espaço, fugindo da tecnologia humana.

O fenômeno no Brasil

O Pesquisador do Departamento de Física da UFCG, o professor Dr. Amauri Fragoso de Medeiros, está participando de uma campanha científica denominada COPEX (Conjugate Point Experiment).
A campanha estuda um fenômeno que ocorre na ionosfera terrestre, denominado de "bolhas ionosféricas" (plasma), que consiste na formação de grandes regiões ionosféricas, onde a densidade do plasma (íons e elétrons livres) fica altamente reduzida.
Esse fenômeno, que ocorre apenas na região tropical do globo terrestre, e, portanto, não ocorre sobre os países de "Primeiro Mundo", é particularmente forte sobre a região brasileira.
O foco da campanha científica é aprimorar a capacidade de previsão da ocorrência e do desenvolvimento das bolhas sobre o Brasil, interferindo fortemente nas telecomunicações, de um modo geral, inclusive nas radiocomunicações via satélite, através da degradação do sinal.
O principal sintoma das bolhas é a interrupção das telecomunicações. Dessa forma, o fenômeno tem uma importância em diversas atividades espaciais da vida moderna.
Há registros de sua forte interferência, sobre o território brasileiro, nas redes do sistema de localização GPS, em sistemas de navegação aérea e marítima, nos sistemas de televisão por satélites.
Por outro lado, sob o ponto de vista científico, as bolhas ionosféricas constituem um elemento chave da variabilidade do clima espacial, cuja previsão é essencial para o planejamento das atividades e dos sistemas de aplicações espaciais.
O estudo da variabilidade das bolhas e sua previsão a curto prazo, portanto, se destacam como um dos importantes objetivos da pesquisa espacial, atualmente, pela comunidade científica nacional e internacional.
 
Então, o que é a Bolha Ionosférica ?
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.Ir para: navegação, pesquisa

Bolhas ionosféricas ou Bolhas de plasma podem ser definidas como uma baixa densidade de plasma ionosférico que ocorre na região do equador magnético. Elas são fortemente influenciadas pela radiação magnética do equador magnético, e suas variações são dependentes do ciclo solar.ndice

Explicação do Fenômeno

Durante o dia, a atmosfera eletricamente neutra da Terra (composta majoritariamente por oxigênio e nitrogênio) sofre um bombardeio de raios ultravioletas vindos do Sol, os quais através de uma ação fotoelétrica, geram íons e elétrons, a partir da altura de aproximadamente 60 km., criando, dessa forma, a ionosfera terrestre. A ionosfera, portanto, situa-se acima de aproximadamente 60 km de altura. Ela foi descoberta no início do século XX por interferir na radio propagação. Como durante o dia, a ionosfera é mais densa, ou seja, abarca mais elétrons e íons livres devido à presença da radiação solar. Após o pôr-do-sol, a ionosfera começa a desaparecer por recombinação entre elétrons e íons, e, na região tropical (isto é, entre os trópicos de Câncer e Capricórnio), ela sobe repentinamente de altura com uma velocidade muito grande em cuja condição forma-se a bolha. Dizemos então que bolhas de plasma, ou bolhas ionosféricas são enormes regiões de vazio de plasma e surgem após o pôr-do-sol (elas nunca ocorrem durante o dia) e podem se estender por milhares de quilômetros ao longo das linhas de força do campo magnético terrestre (a Terra é um imenso imã e portanto tem linhas de campo magnético como ocorre com qualquer imã). A ocorrência das bolhas está aproximadamente restrita à região intertropical devido às condições físicas locais que favorecem a geração do fenômeno.

Regiões do Brasil que ocorre o fenômeno das Bolhas Ionosféricas e os Problemas gerados por elas.

As primeiras detecções do fenômeno das bolhas sobre o território brasileiro ocorreram em 1976, por meio de observações ópticas da ionosfera sobre a região de Cachoeira Paulista, cidade do interior do estado de São Paulo, pelos pesquisadores José Humberto Sobral e Mangalathayil Abdu, ambos do INPE. A descoberta do referido fenômeno sobre o território brasileiro aconteceu simultaneamente em outras partes do globo terrestre por pesquisadores estrangeiros.
Na região brasileira elas ocorrem mais fortemente entre outubro e março e a sua freqüência de ocorrência diminui até atingir um mínimo por volta de junho ou julho. A bolha interfere nas telecomunicações via satélite, por difração das ondas (eletromagnéticas) das telecomunicações, causando-lhes forte alteração tanto de amplitude como de polaridade, o que gera os ruídos. Um resultado típico de tal interferência é o aparecimento de pontos escuros e luminosos na tela do receptor, na recepção direta por antena parabólica caseira. Sistemas de telecomunicações de grande porte tais como os utilizados por muitas empresas de telecomunicações podem também eventualmente sofrer fortes interferências, chegando aos blackouts (interrupções totais) nas comunicações.
As bolhas ionosféricas também poderiam, ao se concentrarem em certo ponto, gerar Campos Magnéticos e Campos Elétricos, que variam de baixos a médios, o suficiente para interferir na tramitação de qualquer onda eletromagnética. A variação de intensidade, do campo magnético e elétrico, dependerá de pequenos fatores físicos e climáticos que influem decisivamente na situação. Isso tornaria, dependendo da intensidade dos campos e da freqüência que são transmitidas as ondas eletromagnéticas, muito dificultosas a comunicação via rádio e a localização por radar e GPS. Além de atrapalhar gravemente aparelho que dependem das ondas eletromagnéticas ou de impulsos eletromagnéticos para funcionarem, agirem e tomarem determinadas atitudes pré-estabelecidas para eles realizarem.

Observações:

- É importante ressaltar que esse fenômeno acontece aproximadamente dentro da região tropical, em cujo caso, significa que Europa, Estados Unidos e Japão, por exemplo, não são atingidos pelo fenômeno;
- E o fenômeno não acontece durante o dia devida alta condutividade iônica influenciada pela radiação solar;
- As bolhas passam a interferir mais fortemente durante a fase de máxima atividade solar que ocorre a cada 11 anos.
- Atualmente, a região do Brasil que mais sofre com os problemas das Bolhas Ionosféricas é a região que abrange a Serra do Cachimbo, no Estado de Mato Grosso. Região essa que é considerada de extrema importância para a condução de estudos e pesquisas, desse fenômeno e de outros, nas áreas de Geofísica, Aeronomia e Atmosféricas.


Fig. 1- Imagens obtida através das emissões OI 777,4 nm (a) e OI 630,0 nm (b) em São José dos Campos (Univap) no dia 15/10/2001, mostrando bolhas de plasma sobre o campo de visão dos imageadores all-sky.







Fontes:
http://pib.socioambiental.org/en/noticias?id=6694
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bolha_Ionosf%C3%A9rica
http://www.sefloral.com.br/cien01022731.htm
http://www.cienciamao.usp.br/tudo/exibir.php?midia=snef&cod=_aabordagemdasbolhasdepla&action=print
http://mtc-m16.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/marciana/2005/01.12.10.20/doc/irregularidades%20ionosfericas%20observadas.pdf



sábado, 25 de setembro de 2010

Homenagem ao físico Giuseppe Occhialini.

Homenagem a um dos fundadores da Física no Brasil. No centenário de seu nascimento, uma mostra itinerante em sua homenagem, passou por Roma, Milão e outras cidades italianas.
Os trabalhos desse cientista acompanharam momentos fundamentais da física do século XX, como a descoberta da anti-matéria de novas partículas, e foram ponto de partida para a exploração do Universo através de raios X e raios gama, e para o programa de exploração espacial europeu.
Trabalhou com dois laureados com o prêmio Nobel, Patrick Maynard Blackett (1897-1974) (premiado em 1948 pelo desenvolvimento da câmara de neblina e pelas contribuições às pesquisas nucleares e da radiação cósmica) e Cecil Frank Powell (1903 -1969) (premiado em 1950 pelo desenvolvimento de emulsões fotográficas e pela descoberta do píon). Occhialinin por duas vezes esteve bem próximo de ganhar o prêmio.


Em 1937 Occhialini veio para o Brasil onde, juntamente com Gleb Wataghin (1899-1986), deu início as primeiras atividades de pesquisa em Física no Brasil formando o primeiro grupo de estudantes na Faculdade de Filosofia e Letras, onde fundou o Departamento de Física (atual IF/USP). Um dos seus primeiros alunos foi Cesar Lattes que o acompanhou à Bristol onde trabalhando no grupo de Powell, descobriram o méson pi.
A dedicação à pesquisa, em especial àquela com raios cósmicos, tem sido homenageada internacionalmente de várias formas. O último reconhecimento da importância de seus trabalhos foi póstumo. Em 1996, as agências espaciais italiana, holandesa e européia batizaram o satélite de exploração do Universo através de raios X com o nome Beppo SAX., pois Occhialinni era chamado Beppo por seus amigos. Durante 6 anos esse satélite recolheu imagens do Universo homenageando o grande cientista.

Occhialini no Brasil

O fascismo e o nazismo obrigam Occhialini a emigrar para o Brasil em 1937.
No Brasil, ajudou a formar os primeiros grupos de físicos brasileiros, tendo entre seus alunos Mário Schemberg (1914-1990) e Cesar Lattes (1924-2005). Este o acompanhou na mudança para Bristol, onde se juntaram ao grupo de Cecil Frank Powell (1903-1969) para descobrir o méson pi, primeira partícula submeleônica descoberta. Iniciava-se assim uma nova área da Física: a Física de Partículas Elementares. Esta descoberta valeu o Prêmio Nobel a Powell, em 1950. Occhialini também foi professor de Riccardo Giacconi, que venceu o Prêmio Nobel em 2002 pela descoberta de fontes cósmicas de raios X.
No Parque Nacional de Itatiaia, no Brasil, um dos picos da cadeia de montanhas Agulhas Negras, foi batizado Pico Occhialini. Das grutas que explorava, Occhialini desenhava mapas e relevos, manifestando não só um interesse esportivo, mas também aquela mistura de gosto pela aventura e de sede de conhecimento que caracteriza de fato o alpinismo, a espeleologia e a pesquisa.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O motor magnético.

Apesar do assunto moto-contínuo ser considerado um símbolo da utopia, devido ao fato de ir contra a segunda lei da termodinâmica, que diz que não se pode extrair energia de algo que está a mesma temperatura, e também por contrariar a primeira lei da termodinâmica, que informa que a energia não pode ser criada nem destruída, acho uma possibilidade que, de tão simples, talvez tenha passado despercebida por mentes mais acostumadas à complexidade.
O motor magnético.


Um amigo me mandou a dica deste video, realizado na Universidade de Tecnologia de Delft na Holanda. Este video registra a primeira exibição oficial do motor magnético. Embora a premissa beirasse o conceito do moto-contínuo – uma impossibilidade na física Clássica perseguida com obstinação por milhares de pessoas através dos séculos - talvez estivéssemos no limiar de uma era onde os conhecimentos científicos aplicados a novas descobertas acerca dos mistérios dos supercondutores e do magnetismo poderiam nos levar a um grau de otimização energética tamanha que aos olhos de um leigo seria como se o moto contínuo fosse realmente inventado.


O motor magnético está sendo pesquisado pelo MIT. Como podemos ver, os maiores centros de tecnologia do mundo vem investindo pesadas somas na tentativa de obtenção de energia de baixo custo. Isso é visão de futuro, isso é pensamento estratégico. E isso expõe muito claramente o abismo existente entre o primeiro mundo e os países emergentes.
Após a exibição do funcionamento do motor magnético ante aos olhos estupefatos de 30 cientistas, o motor foi pacientemente desmontado peça por peça.
A conclusão óbvia que podemos chegar vendo este modelo em escala operando gratuitamente é que “a energia grátis” só não será uma realidade graças a perfidiosa cobiça humana.
Isso será adotado? Eu duvido muito. A ciência é algo maravilhoso, mas esbarra em dogmas religiosos de um lado e em implicações econômicas muito fortes do outro. Da mesma forma que o gênio Nikola Tesla, movido por um idealismo humanista utópico cometeu o maior erro de sua carreira ao tentar prover energia grátis para todo o planeta Terra, os sonhos da energia grátis com base no motor magnético irão falhar miseravelmente.
Os grandes grupos que concentram o poder no mundo o fazem com base na questão energética. A energia é o que está por trás das reservas de petróleo e as respectivas guerras, a disputa por territórios e dinheiro. A questão energética afeta o desenvolvimento global como poucos elementos podem afetar.
Saber se um invento dá certo ou não, é complexo, mas alguns indicadores simples podem dar pistas sobre o que o destino reserva a certos inventos. Tipo: Se ele deixar alguém rico, tem boa chance de dar certo. Se ele deixar muita gente rica, tem uma altíssima chance de dar certo, mas se o invento tirar o dinheiro fácil de quem já vem ganhando há séculos, há uma boa, aliás, gigantesca chance de o inventor dar com os burros n´água.
Eu creio que não adianta criar algo sensacional, tão incrível que até parece mágica do David Blaine e não conseguir vender. Se eles conseguirem mostrar que com isso é possível lucrar muito mais, dando a ganhar aos caras que já vem ganhando há séculos com a energia, então há de fato uma chance de assistirmos ao limiar de uma nova era energética no mundo.
É importante ressaltar que isso NÃO É um moto contínuo. É um motor de alta eficiência. A premissa do moto contínuo é gerar energia espontaneamente. Neste caso pelo que eu entendi o cara dá uma única martelada e essa energia é multiplicada por uma complicada caixa de redução magnética no interior do equipamento, resultando em um absurdo aproveitamento da energia. De fato, parece bom demais para ser verdade, mas se os cientistas e professores da Universidade de Delft não acharam que é uma fraude, quem sou eu para achar qualquer coisa?
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Livro eletrônico ganha espaço na bienal

Fonte: Priscila Jordão, de INFO Online
http://info.abril.com.br/noticias/mercado/livro-eletronico-ganha-espaco-na-bienal-12082010-46.shl 
Livros digitais dividem espaço com os livros de papel na Bienal do Livro de São Paulo

SÃO PAULO - A Bienal do Livro, que acontece a cada dois anos em São Paulo, nunca foi tão tecnológica. Neste ano, além de livros de papel, marcam presença no evento os livros digitais, também conhecidos como e-readers. E eles estão chamando a atenção dos visitantes.
Não à toa. O e-reader tem sido bastante destacado pelos corredores da Bienal. No estande especial da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, o público pode conferir e ler obras em cerca de 50 aparelhos, entre Kindles, iPads, Readers da Sony e o aparelho nacional da livraria Gato Sabido, que estão em exibição. O estande é equipado com Wi-Fi e permite o download de livros gratuitos.
Com a iniciativa, o órgão público quer divulgar o e-reader como plataforma de leitura para o consumidor. Além disso, apresentar aos leitores os seus livros que já estão no formato digital (cerca de 180 e todos gratuitos).
Grandes livrarias, como a Saraiva, também aproveitam a ocasião para divulgar seus livros digitais. No endereço www.livrariasaraiva.com.br/livros-digitais, a livraria disponibiliza, por preços menores que os dos livros impressos, títulos como Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, e Caim, de José Saramago.
"Mas para comprar, o usuário baixa um aplicativo no site da Saraiva e, por ele, acessa o servidor da livraria e efetua o download", diz André Ferraz, analista de produtos digitais da Saraiva.Os livros são baixados para o computador, mas estão em formato protegido, de modo que só podem ser lidos no aplicativo da Saraiva. Porém, podem ser compartilhados com até seis plataformas, como smartphones e leitores eletrônicos.
A plataforma da Saraiva, explica Ferraz, terá divulgação em massa somente quando houver também um aplicativo para iPad, o que deve acontecer em breve. "Nossa aposta é em plataformas móveis. Por isso, estamos aguardando a finalização do aplicativo para fazer um anúncio grande ao mercado", afirma Ferraz.
Outros expositores do evento, como o Submarino, também montaram estandes dedicados especialmente ao universo digital. Na Bienal, a empresa fez o anúncio de uma parceria com a Gato Sabido, cujo site ficará hospedado dentro do Submarino.
"O Submarino não vendia e-readers e precisava entrar nesse ramo. Por isso firmou a parceria conosco", afirma Luciana Legey, sócia da Gato Sabido. A livraria trouxe cerca de 48 e-readers para o evento, que estão sendo expostos em vários estandes de editoras, inclusive de livros infantis.
Já as editoras menores, apesar de não terem suas próprias lojas de livros digitais, aproveitam para lançar seus títulos já em versões eletrônicas. A Giz Editorial, por exemplo, vende o livro digital Causos de uma vida empreendedora por 5 reais a menos que o impresso na livraria do leitor eletrônico Gato Sabido.

Os aparelhos "e-reader" estão sem imposto, agora. Demorou !

AGÊNCIA BRASIL
O turista brasileiro que quiser trazer um leitor eletrônico de livros digitais do exterior, sem pagar imposto e sem precisar recorrer à Justiça, poderá fazê-lo a partir de 1º de outubro.
Esta semana, o Diário Oficial da União publicou a Instrução Normativa 1.059 para detalhar a Portaria 440 que mudou as regras sobre os procedimentos de controle aduaneiro e o tratamento tributário aplicável aos bens de viajante. Pela decisão, bens considerados de uso pessoal estão isentos de tributos, exceto computadores pessoais e filmadoras.
Consultada, a Receita Federal informou que os leitores eletrônicos poderão ser considerados de uso pessoal desde que não agreguem componentes que deixem o dispositivo com a mesma configuração de um computador.
As discussões sobre os leitores digitais, por enquanto, são polêmicas. Embora os livros tenham imunidade tributária, os leitores digitais não têm. Recentemente, decisão da Justiça Federal em São Paulo concedeu mandado de segurança, com pedido de liminar, para que a Receita Federal não exija o pagamento de quaisquer tributos aduaneiros por ocasião do desembaraço do produto denominado Kindle, produzido por uma empresa dos Estados Unidos alegando imunidade tributária.
O argumento é que o “produto denominado comercialmente de Kindle possui a função exclusiva de leitor de jornais, revistas e periódicos” e, sendo assim, o produto estaria abrangido pela imunidade tributária estabelecida no Artigo 150, inciso VI, alínea “d”, da Constituição Federal.
Por enquanto, a decisão sobre a imunidade tributária do produto só atende a um advogado e professor da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo. Para que outras pessoas consigam o mesmo benefício na Justiça, é preciso entrar com novos pedidos de liminar, o que no final pode sair mais caro do que pagar os impostos para o leitor eletrônico. A Receita Federal ainda pode recorrer.
Os leitores de livros eletrônicos transferem pela internet os textos e podem armazenar, em alguns modelos, até 3,5 mil títulos. Além dos aparelhos estrangeiros, dois fabricantes brasileiros também produzem leitores eletrônicos de texto e pretendem concorrer com os importados. Sem impostos, os estrangeiros têm modelos mais em conta que custam aproximadamente US$ 137 (R$ 243). Já um modelo nacional tem sido anunciado a R$ 799.
No mês passado, o maior site de vendas de livros dos EUA anunciou que as vendas de títulos para o tipo de e-reader que comercializa já são, pela primeira vez, maiores que a venda de livros com capa dura. A notícia provocou debates na internet sobre o fim ou não dos livros de papel. Para a Receita, o que importa são as questões tributárias.
“Para efeitos de bagagem, não interessa se o Kindle vai ser ou não livro. A questão do livro é porque ele tem imunidade tributária e eu não posso tributar. Se, no futuro, a Justiça determinar que o Kindle é um livro, a Receita não tributará”, disse o subsecretário de Aduana e Relações Internacionais, Fausto Vieira Coutinho.
“Se ele for somente um leitor de livros e substituir o seu livro de cabeceira, é considerado bem de uso pessoal e vai entrar, inclusive fora da cota. É diferente do iPad que acessa à internet”, disse.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Carros estão na mira dos hackers

Recursos tecnológicos deixam carro vulnerável, diz estudo.
Texto: Adriana Bernardino Sharada
Fotos: Koscher et al.

Imagine a cena: você esta guiando seu carro por uma avenida qualquer quando, alheio ao seu comando, o acelerador afunda no assoalho até você ficar colado no banco. Ou, em outra hipótese não menos arriscada, você começa a desenvolver velocidade quando o freio subitamente é acionado. Não, não se trata do demônio que possuía o chassi de Christine, o Carro Assassino, mas de demônios da modernidade: hackers. Depois de invadir computadores e celulares, os carros são as próximas vítimas.
Essa é a conclusão do estudo Experimental Security Analysis of a Modern Automobile (Análise Experimental de Segurança de um Automóvel Moderno, do inglês), apresentado no último mês, durante um simpósio de segurança realizado em Oakland, na Califórnia. Segundo cientistas, a mesma tecnologia que aumentou a eficiência e segurança dos veículos acarretará riscos potenciais nas mãos de pessoas mal-intencionadas.
Veículos modernos, com avançados recursos tecnológicos, já contam com a facilidade de os mecânicos fazerem o check-up e os ajustes necessários em diversas funções – como motor, ignição, freios etc. – por meio de conectores e softwares adequados. Embora cada função tenha seu próprio microcontrolador, todas elas podem ser acessadas conectando-se à rede interna do veículo, já que todos os sistemas estão ligados a uma mesma rede. Esse seria um dos pontos de vulnerabilidade apontado pelo estudo.
Depois de uma série de testes, tanto em laboratório quanto na estrada, os cientistas demonstraram que é possível burlar o sistema de segurança do carro, ainda que não se tenha o software da fabricante. Em um dos testes realizados, os pesquisadores desligaram o motor e desativaram os freios de um veículo a 65 km/h através dos solenóides do ABS.
Para os cientistas, a pesquisa serve de alerta à indústria automobilística, que deve se preocupar não apenas em fazer carros supertecnológicos, mas também em começar a desenvolver antivírus para eles.

Fonte: Inovação Tecnológica

sábado, 22 de maio de 2010

Uma gambiarra (no sentido literal)

Em uma vila no Malauí, garoto transforma a vida de todos usando sucata e livros amarelados de física elementar.
por Rafael Cabral

William Kamkwamba, 22 anos, estudante.

Sucata, uma bicicleta enferrujada, dois livros amarelados de física elementar, peças de um motor achadas em um ferro velho e, acima de tudo, muito esforço e criatividade. Foi com esse material que fez com que a vida de William Kamkwamba, que passava fome na parte rural do Malauí, virasse do avesso.
Aos 14 anos, o menino largara a escola – sem dinheiro para os US$ 80 anuais exigidos por aluno – e era forçado a cavar o chão em busca de raízes ou cascas de banana, os únicos alimentos possíveis em meio à seca que matava de inanição os habitantes de seu vilarejo, Wimbe. Falido, faminto e sem perspectivas, decidiu parar de imaginar que as coisas se resolveriam com um milagre: era melhor se virar com que tinha, e bem rápido.
Em abundância, havia sol, vento e sucata. "E se eu tentasse fazer algo com isso?", pensava, folheando os livros de ciência de uma minúscula biblioteca improvisada pelo governo norte-americano. Mesmo sem saber inglês, a língua em que as obras eram escritas, fascinava-se com a imagens que mostravam geradores de energia, inexistentes na sua vila e em grande parte do Malauí, o 138º país do mundo em geração e consumo de eletricidade. Por lá, isso é luxo de 2% da população.
Mas foi só quando topou com a capa do livro didático Using Energy, estampando um moinho de vento, que uma lâmpada acendeu em sua cabeça. "Com aquilo, tudo melhoraria. Poderíamos bombear água, aumentar nossas colheitas. Acabaria com a nossa fome", relembra, em entrevista ao Link. "Foi aí que decidi fazer um daqueles".
Seus familiares, vendo o moleque passando daqui pra lá com entulho e toras de madeira, pensaram que ele estava maluco. A certeza viria algumas semanas depois, quando ele derrubou algumas árvores de eucalipto e ergueu uma torre de mais de cinco metros de altura.
Sem incentivo, instrução e "nem noção do que era a internet", William confiava na intuição e nas noções básicas de física que recebeu no colégio. Mas até ele se assustou quando a pás se mexeram e, ao juntar dois fios a uma lâmpada, fez-se a luz.
Trivial para a maioria de nós, a literal gambiarra ("Extensão elétrica com uma lâmpada na ponta, que permite o uso da luz em diferentes localizações", segundo o Houaiss) mudou radicalmente a vida da vila, hoje movida por energia eólica, e ainda mais a de seu idealizador.
Aos 22 anos, Kamkwamba já palestrou no Fórum Social Mundial e no TED, o evento de tecnologia que recebe convidados como Bill Gates e Stephen Hawking. E, diga-se de passagem, foi aplaudido de pé por lá.
Sua história de superação virou até biografia, escrita em parceria com o jornalista Bryan Mealer. The Boy Who Harnessed the Wind (O Garoto que Domou o Vento, ainda inédito por aqui) ficou mais de um mês na lista de mais vendidos do New York Times e foi eleito um dos dez melhores de 2009 pela Amazon. Um documentário sobre ele já está agendado para 2011.
Hoje cursando o último ano da African Leadership Academy, na África do Sul, destinada a formar futuros líderes do continente, ele logo deve se mandar para os EUA. Lá seguirá na universidade e tentará angariar apoio para o seu projeto Moving Windmills, que ajuda vilarejos como o seu a se sustentarem apenas com meios renováveis. Veja só onde aquela gambiarra foi dar...
(Clique no botão 'view subtitles' e escolha idioma português)

Organização quer espalhar moinhos por outros países.

Movido por um dínamo de bicicleta motorizada (área que estoca energia das pedaladas), o primeiro gerador eólico construído por William gerava apenas 12 volts, o suficiente para acender uma lâmpada. Com o reforço de uma bateria de carro, achada no meio da estrada, já carregava quatro lâmpadas e dois rádios.
Com a população começando a acreditar no projeto do garoto e ajudando a levantar mais dessas engenhocas, Wimbe hoje está apinhada de moinhos – que não significam apenas eletricidade, mas liberdade e autossuficiência. É uma "solução africana para problemas africanos", como descreve a ONG Moving Windmills, que surgiu inspirada na ideia.
Em vez de confiar em doações de organizações humanitárias, que dificilmente chegam onde deveriam, o projeto usa a internet para emancipar pequenos vilarejos carentes. Pelo site MovingWindmills.org, dá para doar pequenas quantias para projetos localizados, como um moinho para uma escola no Malauí ou um sistema de irrigação de uma colheita. Fundada em 2008, a organização quer espalhar moinhos de vento pela África, principalmente nas áreas rurais, abandonadas pelos governos. A energia eólica representa, hoje, apenas 1,5% do consumo global, mas é ideal para o continente: usa materiais baratos e recursos abundantes.

Para o continente africano, celulares são os novos PCs.

Quando William Kamkwamba disponibilizou energia elétrica para sua vila, tomou um susto. As filas formadas em sua porta não eram de pessoas querendo usar geladeira ou TV. "Todos eles queriam recarregar seus celulares", lembra.
O episódio mostra a importância que os aparelhos têm na África. Enquanto a internet chega para apenas 6,7% das pessoas do continente e a energia elétrica ilumina 25% dos africanos, 37% deles possuem celular. Isso mesmo: são mais pessoas com o dispositivo no bolso do que com eletricidade em casa.
O celular é o PC da África e, junto do rádio, é a principal fonte de informação dos africanos. Mas internet 3G por lá ainda é um conceito distante. As informações circulam por SMS. E em locais a que as ondas de rádio não chegam, as mensagens de texto acabam sendo a única opção. A rádio SW Africa, que fica em Londres, manda 30 mil mensagens de texto por dia para cidadãos do Zimbábue, país que bloqueia sinais de rádio.
Em uma sociedade carente de quase todos os serviços mais básicos, opções baseadas no celular começam a surgir como alternativa. No Quênia, um serviço iniciado em 2007 permite que oito milhões de pessoas usem seus créditos de celular para pagar táxis e bares.

E A INTERNET?

Com a eletricidade chegando a apenas um quarto da África, imaginar uma popularização da internet parece exagero. Só que algumas iniciativas começam a abrir caminho.
O East African Submarine System é um projeto bancado pelo Banco Mundial e que irá esticar uma cabo de fibra óptica pelo continente para disponibilizar internet de alta velocidade em 20 países. Só que um problema prático vai persistir: qual a parcela da população que terá dinheiro para comprar um computador para acessar a rede?
Kamkwamba ainda deve ver por muito tempo as pessoas andando para lá e para cá com carregadores. E ele sabe o motivo: "Esses aparelhos estão em todos os cantos porque são baratos". (R.C. e FERNANDO MARTINES)

ONDE?

- O PAÍS – Enfiado entre Zâmbia, Tanzânia e Moçambique, o Malauí tem 15 milhões de habitantes. 85% deles vivem na área rural, a grande maioria sem energia elétrica e outros serviços básicos.
- ECONOMIA – Um dos mais pobres do mundo e, ao mesmo tempo, um dos mais populosos, o país sobrevive quase que exclusivamente da sua agricultura. Tabaco, algodão e cana de açúcar representam 90% das exportações.
- POBREZA – Em 2005, o Malauí recebeu US$ 575 milhões de ajuda humanitária, mas mesmo assim foi considerado o país mais pobre do mundo pelo FMI. Sofre também com uma enorme taxa de HIV.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Think Global quer produzir carro elétrico nos EUA em 2011

Empresa norueguesa (Finlândia) investe em modelo com autonomia para rodar 160 km.




A fabricante norueguesa de veículos elétricos Think Global anunciou que pretende produzir carros nos Estados Unidos. A companhia, no momento, reúne acionistas e parceiros para iniciar as operações, mas afirma que já levantou US$ 40 milhões em financiamento.
A produção norte-americana deve começar apenas em 2011, em uma planta instalada no estado de Indiana. O Think City possui autonomia para rodar 160 km e pode chegar à velocidade máxima de 100 km/h.
Para iniciar as vendas do modelo Think City no país neste ano, a fabricante pretende trazer 500 unidades produzidas na Finlândia. O foco das vendas são as cidades de Los Angeles e San Diego.
A Think Global afirma também que pretende investir em uma versão para o mercado britânico, com volante à direita.

Por que usar carros elétricos ?
Comparados com os motores tradicionais de combustão, os motores elétricos são impressionantemente mais eficientes. Veículos eléctricos usam de 80 a 90 por cento da energia disponibilizada ao motor. Já os carros convencionais, apenas 20 a 25 por cento da energia utilizada para alimentar o veículo é convertida em movimento.  A maioria da energia da gasolina, diesel ou mesmo bio-combustíveis irá desaparecer na forma de calor.